Psicopatia na infância: como detectar e controlar

Durante a infância, algumas crianças apresentam condutas estranhas, por vezes incompreendidas, que acabam amedrontando outras pessoas. A presença de certos padrões de conduta desde a infância podem indicar traços de que, no futuro, aquela criança se tornaria um adulto psicopata.

Mas vale destacar que, um psicopata não necessariamente se torna um serial killer e, com o tratamento adequado, um transtorno de conduta pode ser controlado ou amenizado. A psicopatia infantil se torna evidente a partir de certas atitudes que, mais a frente neste mesmo artigo, explicaremos quais são. 

Psicopatia na infância: como detectar e controlar
Fonte: (Reprodução / Internet)

O que é a psicopatia

A psicopatia é um transtorno mental grave em que a pessoa apresenta comportamento anti-social e amoral sem demonstrar arrependimento ou remorso. Também pode demonstrar incapacidade de amar e se relacionar com outras pessoas com laços emocionais profundos, além de egocentrismo extremo.

Psicopatia na infância: como detectar e controlar
Fonte: (Reprodução / Internet)

“…a psicopatia pode ser vista como um defeito moral, porquanto esse termo designa um transtorno psíquico que se manifesta no plano de uma conduta anti-social.”, escreveu David E. Zimerman, psiquiatra e psicanalista.

Diferença entre psicopata e sociopata

Os psicopatas podem ser grandes manipuladores e mentirosos, dando a impressão de que estão levando uma vida normal e relacionamentos sociais saudáveis. No entanto, eles não são capazes de sentir empatia e culpa e nem de criar um vínculo emocional com ninguém.

Por outro lado, a sociopatia é adquirida ao longo da vida, então os sociopatas tendem a ter resíduos de empatia e são capazes de formar laços emocionais com certas pessoas. No entanto, seu temperamento explosivo faz com que tenham relacionamentos sociais mais problemáticos, e geralmente são mais impulsivos, menos calculistas do que os psicopatas.

Crianças podem ser psicopatas? 

A resposta, segundo especialistas, é não. As formalidades médicas impedem que uma criança seja considerada um psicopata, pois o diagnóstico de um distúrbio anti-social se aplica apenas a maiores de idade. As crianças que exibem certos indícios anti-sociais são diagnosticadas com “Transtorno de Conduta”.

Psicopatia na infância: como detectar e controlar
Fonte: (Reprodução / Internet)

Mas os números estão do nosso lado, pois, segundo estudos, estima-se que esse transtorno atinge apenas entre 1 e 2% da população mundial. Aparentemente, os psicopatas apresentam deformações na amígdala cerebelosa (responsável pelas reações emocionais do ser humano) e, por isso, não desenvolvem o superego e não conseguem aprender ou entender valores sociais.

Embora não haja uma causa específica para a psicopatia, sabe-se que o problema não é causado pelo trauma ou eventos que o indivíduo vivencia. Ou seja, a pessoa nasce com este transtorno e não tem a capacidade de simpatizar com as emoções de outros indivíduos.

Características de uma criança com transtorno de conduta

As crianças psicopatas mentem muito e podem machucar animais, sufocar um irmão com um travesseiro ou tentar queimar e explodir coisas, tudo sem sentir culpa ou remorso. Mas o transtorno pode ser controlado, já que não possui cura, como mostraremos mais à frente.

Psicopatia na infância: como detectar e controlar
Fonte: (Reprodução / Internet)

Como detectar

O egocentrismo persistente é um dos principais sintomas de uma criança que manifesta os sintomas do transtorno. Dessa forma, ela permanece inflexível com os outros, muitas vezes aparecendo como uma líder intimidadora em seu grupo com o único propósito de satisfazer seus próprios interesses. Confira a seguir outros sintomas:

  • Mentir com frequência e incapacidade de tolerar a frustração;
  • Costume de maltratar animais domésticos, coleguinhas e irmãos;
  • Ausência de culpa ou remorso, além de não demonstrar constrangimento quando são pegas fazendo algo errado;
  • Condutas desafiadoras às figuras de autoridade, como professores e pais;
  • Egocentrismo extremo e tendência a culpar outras pessoas pelos seus erros;
  • Desobediência constante às regras sociais já ensinadas.

Dado que esses podem indicar tanto um transtorno quanto um problema de relacionamento, é válido ressaltar que apenas um diagnóstico médico feito por especialistas pode dizer com exatidão se a criança possui ou não um transtorno de conduta. Simultaneamente, os pais também precisam estar cientes da frequência e intensidade desses comportamentos.

Como controlar

Crianças e adolescentes com transtorno de comportamento podem se tornar psicopatas adultos, mas não necessariamente o irão – o que é um bom sinal. Portanto, é importante que os pais aprendam sobre isso e comecem a reconhecer as disfunções dos filhos- lembrando que são raros os casos.

Há quem recomende que, quando em um grau leve, a psicopatia pode ser modulada por meio de regras mais duras, vigilância constante e uma educação mais rigorosa. Entretanto, é muito importante que, em caso de suspeitas, os pais procurem um profissional do tema, para, assim, tomar as melhores providências. 

Um final feliz: o caso de Beth Tomas

Um dos casos mais famosos é o de Beth, uma garota com rosto angelical, mas que exibia os traços extremos de uma personalidade bastante cruel. Ela foi adotada em 1984 por um casal que não podia ter filhos, junto com seu irmão John.

Psicopatia na infância: como detectar e controlar
Fonte: (Reprodução / Internet)

Descobriu-se que sua infância foi traumática, pois sua mãe morreu no parto, e ela e seu irmão foram cuidados pelo pai, que cometeu diversos abusos contra as crianças. A menina também afirmava que queria matar seus novos pais e irmão, porque não sentia nada por eles.

Ficou evidente ao longo do estudo desse transtorno que o problema estava diretamente relacionado ao trauma vivenciado nos primeiros anos da infância. Entretanto, o caso de Beth foi um dos que encontrou um final feliz. Confira esse final no vídeo a seguir. 

Vídeo – Beth Tomas hoje em dia – A ira de um anjo

Ajuda médica

Ao ler tudo isto, fica claro que, apesar de ser possível, ter um filho com transtorno de conduta é algo um tanto raro. Entretanto, caso tenha esse tipo de suspeita, é interessante conhecer os sintomas e tentar controlá-los. 

Em caso de a frequência dos sintomas ser alta, a melhor opção é procurar um psiquiatra. Apenas ele será capaz de diagnosticar a criança de forma correta e indicar as melhores estratégias. Só assim, a criança poderá evoluir, como no caso de Beth Tomas.