Dia das mães: entenda como a data começou a ser comemorada

O Dia das Mães é uma data especial que a maioria das pessoas comemoram, mas que todo mundo pelo menos ouviu falar. O mais engraçado é que o dia é comemorado todos os anos, mas dificilmente alguém vai saber como surgiu o hábito de celebrar as mães em um momento exclusivo.

Em países como os EUA  e o próprio Brasil, o Dia das Mães é a segunda data comemorativa mais importante, ficando apenas atrás do Natal. Uma diferença interessante é que em muitas culturas a data é comemorada no mesmo dia. Então, praticamente o mundo todo interrompe suas atividades para enaltecer as mulheres que nos deram a vida. Mas como tudo começou?

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Fonte: (Reprodução/Internet)

Leia os temas principais deste artigo nos tópicos abaixo:

  • Como surgiu o Dia das Mães;
  • Por que a mulher que criou a homenagem odiava a data;
  • Importância nos direitos das mulheres;
  • Como chegou no Brasil.

Dia das Mães – Como tudo começou

Apesar do Dia das Mães ser uma criação da sociedade moderna, os povos antigos comemoravam a data em celebrações e festivais. Ou seja, o costume não surgiu absolutamente do nada já que homenagens às figuras maternas aconteciam. O que conhecemos hoje sobre essa data está associada ao início do século XX, nos EUA.

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A criação do Dia das Mães surgiu a partir de uma campanha promovida por Anna Reeves Jarvis. Ela foi uma norte-americana ativista que se dedicou às ações humanitárias. Jarvis se destacou pelas obras de caridade durante a Guerra de Secessão, um dos momentos mais difíceis da história dos EUA.

A história da mãe de Anna, que tinha o mesmo nome que ela, é uma peça fundamental na origem da data comemorativa. A matriarca era conhecida por ser uma super mãe na comunidade onde morava, localizada na Virgínia Ocidental, estado norte-americana. Como membro da Igreja Metodista, a Sra. Jarvis era líder de diversos trabalhos sociais.

Anna, mulher que idealizou um dia só para mães

Pela sua atuação em projetos sociais na comunidade, Anna era extremamente querida. Por isso, a sua morte comoveu tanto o público. Para homenagear sua mãe, a outra Anna, que era uma mulher sem filhos e solteira, passou a celebrar a figura materna. A iniciativa tomou proporções gigantes.

A homenagem ficou tão famosa que chegou ao conhecimento de Woodrow Wilson, presidente daquela época. Wilson decidiu oficializar o segundo domingo do mês de maio como o dia oficial das mães nos Estados Unidos. Em entrevista à BBC, a historiadora Katharine Antolini declarou que o objetivo de Anna era enaltecer o trabalho que essas mulheres prestavam à sociedade.

Um dos projetos que Anna incentivava em sua comunidade era o combate ao alto número de mortalidade infantil. Durante muito tempo, a população de Grafton, Virgínia, vinha sofrendo com doenças letais. Nos grupos promovidos por Jarvis, as mães aprendiam sobre saneamento e higiene básica, como por exemplo ferver a água antes de beber.

Luta contra a comercialização da data

Embora Anna Jarvis tenha criado um marco na história de muitas mulheres, historiadores apontam que a ideia que ela tinha de homenagem às mães foi distorcida. Calma, você vai entender. A equipe da plataforma de genealogia MyHeritage procurou pela família de Anna e encontrou alguns primos de primeiro grau.

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Elizabeth Burr, uma das primas de Anna, declarou ao portal que a sua família não tinha o hábito de comemorar o Dia das Mães em respeito à memória de Jarvis. A justificativa era de que a mulher não gostou de como sua ideia virou um interesse comercial. Conforme foi dito anteriormente, ela queria tornar evidente o esforço das mulheres em melhorar sua comunidade.

O que a moveu foi a perda de nove irmãos para doenças causadas por falta de saneamento e higiene. O sonho de Anna era lutar pela causa de sua mãe, que ajudava a prevenir a população. O lema de Anna era homenagear a mulher que dedicou toda a vida aos filhos. Assim, três anos após a morte de sua mãe a data foi incorporada em sua igreja.

Dia das Mães incentivou discussões importantes

Em meio às críticas aos floristas, Anna esteve contra qualquer empresa ou organização que utilizasse o seu dia especial para uma finalidade distorcida. Até mesmo instituições de caridade usaram a data para arrecadar fundos. Apesar do intuito ser ajudar mães carentes, a idealizadora não gostou nem mesmo dessa ideia.

Rumores apontaram que as instituições não estavam realmente usando o dinheiro para projetos sociais, o que irritou ainda mais Jarvis. O Dia das Mães também foi levado para a discussão sobre voto das mulheres. O público anti-sufragistas defendia a ideia de que o lugar da mulher era cuidando do lar e que não teria tempo para política.

Em contrapartida, o público a favor do sufrágio argumentava que se a mulher era boa para ser mãe, ela é igualmente boa para exercer o direito de votar. Também, reforçaram a importância das mulheres terem voz e os efeitos disso para o bem-estar de suas crianças. Enquanto isso, floriculturas ofereciam dinheiro à Anna.

Reivindicações de direitos autorais

Pelo visto, Anna foi a única a não aproveitar sua própria criação. Ela chegou a recusar diversas ofertas de dinheiro e não lucrou com a situação. Pelo contrário, passou o resto de sua vida lutando contra a comercialização da data comemorativa. Outra confusão foi referente aos direitos autorais do termo “Segundo domingo de maio, Dia da Mãe”.

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Anna colocou o slogan da data no singular e teve sua ideia copiada. Então, abriu diversos processos reivindicando sua criação, o que fez o nome do feriado ser mudado para Dia das Mães, no plural. De acordo com dados da Newsweek, Jarvis moveu 33 processos para essa finalidade.

Além disso, Jarvis escolheu o segundo domingo de maio para a homenagem, pois era uma data próxima a 9 de maio, dia em que sua mãe faleceu. Ela distribuiu diversos cravos brancos na igreja, que era a flor preferida de sua mãe, para as mães que fossem à igreja comemorar aquela data especial.

Crítica aos comerciantes

O grande problema foi que o reconhecimento da data pelo presidente dos EUA foi um incentivador para o comércio. Na verdade, Anna não queria que o dia se tornasse algo comercial. Todavia, foi o que aconteceu. Na época, as indústrias de doces, de flores e de cartões comemorativos bombaram nas vendas.

Os cravos brancos, símbolo do amor de Anna por sua mãe, vendeu muito no Dias Mês por preços absurdos. Ela chegou a publicar uma mensagem à imprensa criticando os floristas por se aproveitarem da data para cobrar mais do público. Em 1920, Jarvis chegou a pedir para que as pessoas não adquirissem flores.

Surgimento da data no Brasil 

Apenas em 1932, o Dia das Mães foi oficializado no Brasil. De acordo com outros historiadores, a homenagem ganhou forte apoio comercial. Apesar de não ter nada formal antes disso, a figura materna já era comemorada no país. As igrejas cristãs eram as principais responsáveis em incentivar a celebração dessas mulheres.

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O mês de maio se tornou querido entre os cristãos por ser o período do ano em que celebram a vida de Maria, mãe de Jesus. Portanto, esse público já associava a figura de Maria ao papel das mães. Muitos anos antes, mais precisamente em 1918, foi registrada uma homenagem às mães no Rio Grande do Sul, promovida pela Associação Cristã de Moços.

Em 1947, a Igreja Católica aderiu ao costume no país. D. Jaime de Barros Câmara, cardeal-arcebispo do estado do Rio de Janeiro, foi o responsável por incorporar a tradição. O Dia das Mães foi nacionalmente reconhecido por Getúlio Vargas, após atender ao pedido da população. O ato foi um reconhecimento da mulher como cidadã e do papel materno.

O que isso significou para o comércio

Assim como em outras datas comemorativas, o comércio foi beneficiado com a oficialização. Logo, o dia passou a ser associado a presentes tendo em vista que a cultura ocidental é muito vinculada ao consumo. O Dia das Mães é a segunda data que mais movimenta o comércio, deixando o Dia dos Pais, Dia dos Namorados e Dia das Crianças para trás.

Em primeiro lugar na tradição de troca de presentes está o Natal. O significado da data especial para as mamães é muito mais sentimental, do que o ato de presentear em si. Diferente do Natal, em que o significado real por trás da tradição não é levado para o cunho emocional de uma forma padronizada.

Algumas pessoas simplesmente comemoram o Natal pela noite mágica da troca de presentes. Não necessariamente pela fé em Jesus. Diferente do Dia das Mães em que une crenças, religiões e costumes de todo o público do país. Ainda, alguns estudos apontam que o famoso Black Friday pode levar o segundo lugar de alta temporada no comércio.

Como é a comemoração no restante do mundo

Embora Anna Jarvis não tenha conseguido impedir os comércios, o Dia das Mães é lembrado como uma data em que todo o reconhecimento deve ser dado a essas mulheres. Ainda assim, a idealizadora conseguiu imprimir a representação sentimental. O Brasil e os EUA seguem tradicionalmente comemorando o dia no segundo domingo de maio.

No entanto, em outros países a homenagem acontece em dias distintos. Chile, China, Itália, África do Sul, Bélgica, Cuba, Finlândia, e Dinamarca, por exemplo, comemoram no primeiro domingo de maio. Já na Noruega, a celebração acontece no segundo domingo de fevereiro enquanto os franceses comemoram no último domingo de maio.