Como descobrir o sexo do bebê na primeira ultrassonografia usando o método Ramzi

Assim que uma mãe fica grávida, ela automaticamente já fica se imaginando com o bebê em seus braços quando nascer. Saber qual o sexo do bebê também faz parte dessa imaginação. Para isso, o chamado método Ramzi, pode te ajudar a identificá-lo ainda no primeiro ultrasson.

Com esse método, é possível ter tempo de sobra para decorar o quarto do bebê, comprar suas roupas e preparar o seu enxoval. Além disso, ao saber o sexo do bebê pode acalmar famílias e também descartar determinadas doenças genéticas no histórico familiar relacionadas aos cromossomos sexuais.

Mas será que esse método funciona mesmo? É o que vamos ver a seguir. Portanto, não perca a continuação deste artigo

Como descobrir o sexo do bebê na primeira ultrassonografia usando o método Ramzi
Foto: (reprodução/internet)

O que é o método Ramzi?

O método Ramzi foi supostamente desenvolvido pelo Dr. Saam Ramzi Ismail, sendo publicado no Website ObGyn.net.

Neste estudo, resumidamente, 5376 grávidas entre os anos de 1997 e 2007 foram submetidas, com 6 semanas de gestação, a um exame de ultrassonografia fetal. Cerca de 22% dos exames foram feitos pela via transvaginal e 78% pela via transabdominal. E, depois que estavam com 18 a 20 semanas, elas foram submetidas ao exame novamente.

A finalidade do estudo e de todo esse processo é relacionar a posição da placenta com 6 semanas de gestação com a determinação do sexo do bebê depois da 18ª semana. Em vista disso, a confirmação seria feita depois que o bebê nascesse.

No fim do estudo, constatou-se que em 97,2% dos fetos do sexo masculino a placenta estava implantada no lado direito do útero e que em 97,5% dos fetos do sexo feminino, a placenta estava implantada no lado esquerdo.

Desse modo, inferiu-se que a posição da placenta às 6 semanas de gravidez, vista pela ultrassonografia fetal, consegue prever o sexo do bebê com uma eficácia de 97%.

Problemas do método Ramzi

Pela nossa leitura do tópico anterior, parece que o método Ramzi foi feito de maneira totalmente científica, com a sua publicação confiante no website de Ginecologia e Obstetrícia. Contudo, o método Ramzi, infelizmente, não cumpre os padrões do método científico.

Na verdade, ele possui três problemas principais que minam a sua fidedignidade e confiabilidade:

1. Publicação

O artigo científico não foi publicado em um site de publicações científicas. Os sites onde os artigos científicos são publicados são rigidamente averiguados pela comunidade científica, e muitos não passam nas revisões da comunidade.

Em vista disso, o estudo do método Ramzi não passou por nenhuma avaliação para ser publicado. Nenhum pesquisador sério, por isso, pode usar esse estudo como base, até porque ele não está em nenhuma base de dados científica.

2. Autores

Na publicação do artigo, não há uma descrição detalhada sobre o suposto autor, Dr. Saam Ramzi Ismail. O artigo não é assinado em momento algum e não há nenhum site científico que comprove a autenticidade desse autor.

Dessa forma, não dá para afirmar que o Dr. Ismail é de fato o seu autor. Além disso, como não sabemos quem ele é, não sabemos nada sobre sua formação acadêmica, que é a base da autoridade de um pesquisador.

3. Local onde o estudo foi feito

O estudo afirma que é multicêntrico. Ou seja, ele foi realizado em vários lugares, mas não sabemos quais exatamente. O autor do estudo diz que ele foi aprovado pela comissão de ética da Universidade de Brunei, localizada em um pequeno país do Sudeste Asiático, onde supostamente o estudo teria sido feito.

O estudo é validado cientificamente?

Quando um estudo como o de Ramzi é publicado, para que haja sua comprovação de fato, ele tem de poder ser reproduzido por outros pesquisadores com resultados semelhantes. O que, categoricamente, comprovaria a sua validade.

Com o estudo de Ramzi, uma pesquisa australiana chegou, em 2010, a resultados contrários. O estudo publicado no  jornal Ultrasound in Obstetrics & Gynecology não conseguiu encontrar nenhuma relação entre a posição da placenta com o sexo do bebê.

No estudo australiano os resultados foram próximos de 50% para menino e menina com a placenta de ambos os lados. Ou seja, a placenta não indicou, de forma alguma, qual seria o sexo do bebê.

Conclusão

Com tudo que já vimos, dá para se afirmar que o método Ramzi realmente não passa de uma história sem fundamento científico. Então, ele não deve ser levado a sério, mas sim como uma brincadeira.

Mas, se você quiser utilizá-lo para descobrir o sexo do bebê na primeira ultrassonografia, basta avaliar a posição da sua placenta e comparar com o que o estudo diz.